É racismo? É racismo! E também um problema de classe.

Demorei um pouco para entender o porquê do ato ser no Extra. E quando descobri, fiquei bem feliz. O Rodrigo Guéron me deu uma acordada a mais agorinha há pouco e me mostrou o que meu pensamento de privilegiado não tinha tonificado um fim de semana. É pra pensar a coisa com uma revolta danada, mas além do ataque, o próprio atacante tb deve ser ‘destrinchado’ e visto prá lá do contexto dual com o campo bolsonarista. Ali, temos um trabalhador precarizado também em linchamento. Tá fácil sentir raiva dele. Qual posicionamento devemos ter em relação à empresa de segurança que muitas vezes é fachada pra outras coisas? Do próprio Extra e das condições dadas aos seus funcionários? Quanto vale a vigilância de corpos negros em suas dependências, cotidianamente? Seu presidente é um dos homens mais ricos do país. Dono do grupo Pão de Açúcar y outas cozitas más. Apoiou o presidente.

Para o sistema autoritário é bom que deixem de perceber que o recorte é raça-e-classe. Ali, em duelo está o jovem negro e o também jovem branco das camadas populares, adepto de uma violência de grupo para se afirmar diante às negativas da vida. Ambos precarizados por algo que tem mais ligação com à violência social me falta de saúde, educação e assistência públicas do que tudo. Ou seja, uma batalha entre o último e o penúltimo e não entre os últimos e os que os colocam nessa situação (de uma vida precária e ameaçada pelo racismo institucional que vigia e mata os corpos negros).

Acho mesmo que a revolta tem que ser com o Extra e não com o cara, exatamente. A ele, serve o exemplo para o combate a uma tal ‘ideologia da morte’ que mira corpos pretos e pardos, recrutada entre uma juventude popular e precarizada, que muitas vezes é negra também, mas compreende parte do recorte de brancos. Porém, pobres e de camadas menos abastadas da mesma forma. Eles matam para seus patrões que matam para seus patrões. Em nome do quê nem têm ideia, mas é de sua própria escravidão. Da nossa.

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