A morte de Boechat e a minha vida

Como para muitos, nos últimos anos o Boechat se tornou muito reaça pro meu gosto. A imparcialidade dele começava a partir do neoliberalismo e virava e mexia estava exaltando certo autoritarismo e a coerção (apesar de ter sempre críticas aos confrontos e da racionalidade que usava para pedir a liberação das drogas). Alguns dias atrás, mandei mensagem bem puto quando fez uma fala espantosa (cada vez mais corriqueira) em relação à atuação da polícia no Rio.

Entretanto, tenho que confessar que nesses últimos 5 anos eu o acompanhava quase cotidianamente mesmo quando não tava aqui no Rio. Discordando muito mais que concordando, mas de alguma forma, me informando com o universo que criou na BandNewsFM. Seu programa me ajudou a entender melhor alguns aspectos da cidade e do próprio radiojornalismo. Fui pautado muitas vezes por algumas discussões e situações reveladas pela sua equipe. Passei a novamente ouvir radio como fazia na adolescência e início da faculdade. Só que diariamente. Em alguns momentos, até quis estar em uma redação. E já sonhei com isso.

Enfim, apesar de muita discordância e não acreditar na sua imparcialidade (estava voltando de um evento da famigerada indústria farmacêutica), Boechat me fez acompanhar as notícias com certo gosto que estava escondido no jornalista que habita em mim.

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Lucro sobre a vida

Quando vc se diz com muito orgulho que é de direita, você está afirmando que o LUCRO é mais importante que a VIDA. Essa é a principal coisa que faz diferença – na minha pequena opinião, e raiz fundamental para que desastres ambientais e sociais continuem a acontecer. Afinal, em um momento de decisão, você vende sua alma para ou ser convencido de que os riscos são poucos em relação aos lucros ou mesmo, convencer que a melhor opinião é a que te pagam pra ter.

Se a gente não rever nossa postura diante o capitalismo e seus tentáculos, vamos continuar subindo o morro com a pedra e, uma vez chegando lá no alto, ela vai rolar e voltar a descer. E a gente vai sair correndo morro abaixo e novamente subir com o fardo que não cessa.

E, antes de tudo, não discutir sobre isso como se estivesse na 5ª série ou em campo disputando uma partida. Deixar de lado palavras e expressões que esvaziam o debate e que assim, fazem a pedra rolar de volta para a base. É preciso olhar para o sistema capitalista de forma séria e sobre o seu impacto na vida das pessoas, grupos e comunidades atualmente e na história. É o sistema capitalista que deve entrar em discussão primeiramente.